Venerados Irmãos no Episcopado,
"O Deus da esperança vos encha de toda a alegria e paz em vossa vida de fé, para que abundeis na esperança pelo poder do Espírito Santo" (Rm 15, 13) a fim de guiar o vosso povo à plenitude da salvação em Cristo. De coração saúdo a todos e cada um de vós, amados Pastores do Regional Sul 2 em Visita ad limina Apostolorum, e agradeço as palavras que me dirigiu o vosso Presidente, Dom Moacyr, fazendo-se intérprete dos sentimentos de comunhão que vos unem ao Sucessor de Pedro. Por isso vos estou grato. Esta casa é também a vossa: sede bem-vindos! Nela podeis experimentar a universalidade da Igreja de Cristo que se estende até aos extremos confins da terra.
Por sua vez, cada uma das vossas Igrejas particulares, queridos Bispos, é o
generoso ponto de chegada de uma missão universal, o aflorar "aqui e agora" da
Igreja universal. Neste caso, a justa relação entre "universal" e "particular"
verifica-se não quando o universal retrocede diante do particular, mas quando o
particular se abre ao universal e se deixa atrair e valorizar por ele. Na idéia
divina, a Igreja é uma só: o Corpo de Cristo, a Esposa do Cordeiro, a Jerusalém
do Alto, esta Cidade definitiva que seria o objetivo mais profundo da criação
querida como o lugar onde se realiza a vontade de Deus e a terra se torna céu.
Recordo-vos estes princípios, não porque os ignoreis, mas porque nos ajudam a
bem situar as pessoas consagradas na Igreja. Com efeito, nesta, a unidade e a
pluralidade não só não se opõem mas enriquecem-se reciprocamente na medida em
que procuram a edificação do único Corpo de Cristo, a Igreja, por meio do "amor
que une a todos na perfeição" (Cl 3, 14).
Porção eleita do Povo de
Deus, os consagrados e consagradas lembram hoje "uma planta com muitos ramos,
que assenta as suas raízes no Evangelho e produz abundantes frutos em cada
estação da Igreja" (Exort. ap. Vita consecrata, 5). Sendo a caridade o
primeiro fruto do Espírito (cf. Gl 5, 22) e o maior de todos os carismas
(cf. 1 Cor 12, 31), a comunidade religiosa enriquece a Igreja de que é
parte viva, antes de tudo com o seu amor: ama a sua Igreja particular,
enriquece-a com seus carismas e abre-a a uma dimensão mais universal. As
delicadas relações entre as exigências pastorais da Igreja particular e a
especificidade carismática da comunidade religiosa foram tratadas pelo documento
Mutuae relationes, do qual está longe tanto a idéia de isolamento e de
independência da comunidade religiosa em relação à Igreja particular, como a da
sua prática absorção no âmbito da Igreja particular. "Como a comunidade
religiosa não pode agir independentemente ou como alternativa ou, menos ainda,
contra as diretrizes e a pastoral da Igreja particular, assim a Igreja
particular não pode dispor a seu bel-prazer, segundo as suas necessidades, da
comunidade religiosa ou de alguns dos seus membros" (Doc. Vida fraterna em
comunidade, 60).
Perante a diminuição dos membros em muitos Institutos e
o seu envelhecimento, evidente em algumas partes do mundo, muitos se interrogam
se a vida consagrada seja ainda hoje uma proposta capaz de atrair os jovens e as
jovens. Bem sabemos, queridos Bispos, que as várias Famílias religiosas desde a
vida monástica até às congregações religiosas e sociedades de vida apostólica,
desde os institutos seculares até às novas formas de consagração tiveram a sua
origem na história, mas a vida consagrada como tal teve origem com o próprio
Senhor que escolheu para Si esta forma de vida virgem, pobre e obediente. Por
isso a vida consagrada nunca poderá faltar nem morrer na Igreja: foi querida
pelo próprio Jesus como parcela irremovível da sua Igreja. Daqui o apelo ao
compromisso geral na pastoral vocacional: se a vida consagrada é um bem de toda
a Igreja, algo que interessa a todos, também a pastoral que visa promover as
vocações à vida consagrada deve ser um empenho sentido por todos: Bispos,
sacerdotes, consagrados e leigos.
Entretanto, como afirma o decreto
conciliar Perfectae caritatis, "a conveniente renovação dos Institutos
depende sobretudo da formação dos membros" (n. 18). Trata-se de uma afirmação
fundamental para toda a forma de vida consagrada. A capacidade formativa de um
Instituto, quer na sua fase inicial quer nas fases sucessivas, está no centro de
todo o processo de renovação. "De fato, se a vida consagrada é, em si mesma, uma
progressiva assimilação dos sentimentos de Cristo, resulta evidente que um tal
caminho terá de durar a vida inteira para permear toda a pessoa (...) e torná-la
semelhante ao Filho que Se entrega ao Pai pela humanidade. Assim entendida, a
formação já não é apenas um tempo pedagógico de preparação para os votos, mas
representa um modo teológico de pensar a própria vida consagrada, que em si
mesma é uma formação jamais terminada, uma participação na ação do Pai que,
através do Espírito plasma no coração os sentimentos do Filho" (Instr.
Recomeçar a partir de Cristo, 15).
Pelo modo que considerardes mais
oportuno, venerados Irmãos, fazei chegar às vossas comunidades de consagrados e
consagradas, independentemente do serviço claustral ou apostólico que estão
desempenhando, a viva gratidão do Papa que de todas e todos se recorda nas suas
orações, lembrando em especial os idosos e doentes, quantos atravessam momentos
de crise e de solidão, quem sofre e se sente confuso e também os jovens e as
jovens que hoje batem à porta das suas Casas e pedem para se entregar a Jesus
Cristo na radicalidade do Evangelho. Agora, invocando o celeste patrocínio de
Maria, modelo perfeito de consagração a Cristo, confirmo-vos mais uma vez a
minha estima fraterna e concedo-vos, extensiva a todos os fiéis confiados aos
vossos cuidados pastorais, uma propiciadora Bênção Apostólica.
Pubblichiamo di seguito una traduzione in italiano del discorso
pronunciato dal Papa.
Venerati Fratelli nell'Episcopato,
"Il Dio
della speranza vi riempia, nel credere, di ogni gioia e pace, perché abbondiate
nella speranza per la virtù dello Spirito Santo" (Rm 15, 13), al fine di
guidare il vostro popolo alla pienezza della salvezza in Cristo. Saluto di cuore
tutti e ognuno di voi, amati pastori del regionale Sul 2 in visita ad limina
Apostolorum, e ringrazio per le parole che mi ha rivolto il vostro
presidente, monsignor Moacyr, che si è fatto interprete dei sentimenti di
comunione che vi uniscono al Successore di Pietro. Per tutto ciò vi sono grato.
Questa casa è anche la vostra: siate i benvenuti! In essa potete sperimentare
l'universalità della Chiesa di Cristo che si estende fino agli estremi confini
della terra.
A sua volta, ognuna delle vostre Chiese particolari, cari vescovi, è
il generoso punto di arrivo di una missione universale, l'affiorare "qui e ora"
della Chiesa universale. In questo caso, la giusta relazione fra "universale" e
"particolare" si verifica non quando l'universale retrocede di fronte al
particolare, ma quando il particolare si apre all'universale e si lascia
attrarre e valorizzare da esso. Nell'idea divina, la Chiesa è una sola: il
Corpo di Cristo, la Sposa dell'Agnello, la Gerusalemme celeste, quella Città
definitiva che sarebbe l'obiettivo più profondo della creazione, voluta come un
luogo dove si realizza la volontà di Dio e la terra diventa cielo. Vi ricordo
questi principi, non perché i li ignorate, ma perché ci aiutano a situare bene
le persone consacrate nella Chiesa. In effetti, in essa l'unità e la pluralità
non solo non si oppongono ma si arricchiscono anche reciprocamente, nella misura
in cui ricercano l'edificazione dell'unico Corpo di Cristo, la Chiesa, per mezzo
dell'amore "che le unisce in modo perfetto" (Col 3, 14).
Porzione
eletta del Popolo di Dio, i consacrati e le consacrate ricordano oggi "una
pianta dai molti rami, che affonda le sue radici nel Vangelo e produce frutti
copiosi in ogni stagione della Chiesa" (Esortazione apostolica Vita
consecrata, n. 5). Essendo la carità il primo frutto dello Spirito (cfr.
Gal 5, 22) e il più grande di tutti i carismi (cfr. 1 Cor 12, 31),
la comunità religiosa arricchisce la Chiesa, della quale è parte viva, prima di
tutto con il suo amore: ama la sua Chiesa particolare, l'arricchisce con i suoi
carismi e l'apre a una dimensione più universale. Le delicate relazioni fra le
esigenze pastorali della Chiesa particolare e la specificità carismatica della
comunità religiosa sono state trattate dal documento Mutuae relationes,
al quale è estranea sia l'idea di isolamento e d'indipendenza della comunità
religiosa in rapporto alla Chiesa particolare, sia l'idea del suo pratico
assorbimento nell'ambito della Chiesa particolare. "Come la comunità religiosa
non può agire indipendentemente o in alternativa o meno ancora contro le
direttive e la pastorale della Chiesa particolare, così la Chiesa particolare
non può disporre a suo piacimento, secondo le sue necessità, della comunità
religiosa o di alcuni suoi membri" (Documento La vita fraterna in
comunità, n. 60).
Dinanzi alla diminuzione dei membri in molti istituti
e al loro invecchiamento, evidente in alcune parti del mondo, molti si chiedono
se la vita consacrata sia ancora oggi una proposta capace di attrarre i giovani
e le giovani. Sappiamo bene, cari vescovi, che le varie famiglie religiose,
dalla vita monastica alle congregazioni religiose e alle società di vita
apostolica, dagli istituti secolari alle nuove forme di consacrazione, hanno
avuto la propria origine nella storia, ma la vita consacrata come tale ha avuto
origine con il Signore stesso che scelse per sé questa forma di vita verginale,
povera e obbediente. Per questo la vita consacrata non potrà mai mancare né
morire nella Chiesa: fu voluta da Gesù stesso come porzione irremovibile della
sua Chiesa. Da qui l'appello all'impegno generale nella pastorale vocazionale:
se la vita consacrata è un bene di tutta la Chiesa, qualcosa che interessa
tutti, anche la pastorale che mira a promuovere le vocazioni alla vita
consacrata deve essere un impegno sentito da tutti: vescovi, sacerdoti,
consacrati e laici.
Pertanto, come afferma il decreto conciliare
Perfectae caritatis, "l'aggiornamento degli istituti dipende in massima
parte dalla formazione dei loro membri" (n. 18). Si tratta di un'affermazione
fondamentale per ogni forma di vita consacrata. La capacità formativa di un
istituto, sia nella sua fase iniziale sia nelle fasi successive, è al centro di
tutto il processo di rinnovamento. "Se, infatti, la vita consacrata è in se
stessa una "progressiva assimilazione dei sentimenti di Cristo", sembra evidente
che tale cammino non potrà che durare tutta l'esistenza, per coinvolgere
tutta la persona (...) e renderla simile al Figlio che si dona al Padre per
l'umanità. Così concepita la formazione non è più solo tempo pedagogico
di preparazione ai voti, ma rappresenta un modo teologico di pensare la
vita consacrata stessa, che è in sé formazione mai terminata "partecipazione
all'azione del Padre che, mediante lo Spirito, plasma nel cuore i sentimenti del
Figlio"" (Istruzione Ripartire da Cristo, n. 15).
Nel modo che
ritenete più opportuno, venerati fratelli, fate giungere alle vostre comunità di
consacrati e di consacrate, indipendentemente dal servizio claustrale o
apostolico che stanno svolgendo, la viva gratitudine del Papa che di tutte e di
tutti si ricorda nelle sue preghiere, e soprattutto degli anziani e dei malati,
di quanti attraversano momenti di crisi e di solitudine, di chi soffre e si
sente confuso e anche dei giovani e delle giovani che oggi bussano alla porta
delle loro Case e chiedono di potersi dedicare a Gesù Cristo nella radicalità
del Vangelo. Ora, invocando la celeste protezione di Maria, modello perfetto di
consacrazione a Cristo, vi confermo ancora una volta la mia stima fraterna e vi
imparto una propiziatoria Benedizione Apostolica, che estendo a tutti i fedeli
affidati alla vostra sollecitudine pastorale.
(©L'Osservatore Romano - 6 novembre 2010)